segunda-feira, 21 de março de 2011

Mais música, por favor

Eu gostaria de ter a oportunidade de perguntar ao Bono como ele ainda aguenta tocar Sunday Bloody Sunday, With or Without You ou Pride. Obviamente ele me falaria que é o amor, e que tem gente sofrendo por aí, e enfiaria o conflito do Oriente Médio no meio... então, desisti. Prefiro me limitar a uma básica tietagem de fã do velho irlandês que um dia foi devasso, mas agora não consegue se livrar disso, ou ao menos faze-lo com muito sarcasmo, como antigamente. Ah, aquela ligação para o Bill Clinton... que saudades. “You can call me Betty”, disse o Bono na época que o americano era presidente. E hoje, nem as piadas sobraram.

A nova turnê começou bem, e foi sofrendo alterações de chorar. The Unforgetable Fire foi colocada para alegria de todos, até que o Bono foi cagando na letra, esquecendo e... pronto, fora do set list. O trio fantástico – Sunday Bloody Sunday, With or Without You e Pride estão lá, inteironas. Quem ainda aguenta? Três tipo de pessoa, eu suponho – as que nunca foram no show, as que só conhecem essas músicas, e as que comprar até o cocô que o Bono cagar. Fora essas pessoas, durante essas músicas dá para fazer uma ligação (“Galera, abaixa o som aí que eu tô no telefone”), ou levar um kit com lixa, esmalte e acetona para adiantar a manicure. 50% ou mais do show é pura politicagem. Fora do estádio então, é o massacre das petições. Ajudar é bom, mas as vezes a gente se pergunta se aquilo realmente é um show o se foi um equivoco.

Sim, eu sou fã do U2, e já fui a quartro shows da banda, e irei em mais dois. O problema é o U2 ser pintado como só isso – politica. Sou fã de “Boy”, do espetáculo Zoo Tv que, mesmo com uma mega estrutura, contava com um verdadeiro show e músicas que, mesmo a banda se apresentando com uma lona preta no fundo, faria sentido. O U2 faz sentido, mas parece que está se perdendo, se afundando em muito discursos e luzes e pouca música. Não deixo de ser fã, mas não apoio esse tipo de coisa.

Sem mais.

quarta-feira, 16 de março de 2011

Puxa-frango

Quem assistiu o CQC ficou louco pelo toque do celular do Oscar Filho - o Puxa-Frango do Pica-Pau.
Para irritar aqueles que odeiam toques polifônicos ou para puro prazer pessoal, segue o toque no link abaixo:
http://pqp.vc/1-6g

quarta-feira, 2 de março de 2011

Não é a maquiagem


O problema das novas bandas não é a maquiagem.
O glam rock sempre veio carregado de blush, lápis e muito glitter. David Bowie que o diga, e o seu legado e de muitos da sua época e seu estilo estão aí.
O problema não é ser gay.
As pessoas insistem em rotular os integrantes das novas bandas de gay, no sentido de ofensa. Como se quem fosse gay produzisse algo de muito baixo nível. Sabe Cazuza? Freddy Mercu
ry? Renato Russo?
...Renato Russo! Então...
O problema não é ser pirralho. Michael Jackson começou pirralho. Bono começou o U2 com 17 anos.
O problema é nada. Restart, Cine, Justin Bieber e toda a leva do mesmo saco não tem conteúdo, mas são ótimos produtos pra nova geração. Gente que não sabe a diferença entre "mas" e "mais". Que fala "seje". Que consome bosta e dá risada.

Exagero?


quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Grandes figuras urbanas I

Quase sempre o caminho de volta da faculdade nos últimos semestres variavam de acordo com o horário e de quem iria junto. Dois, três, as vezes até quatro ônibus já foi. E aí, como nunca tem horário certo de sair da faculdade, especialmente à noite, sempre cheguei em horários diversos no ponto do último ônibus que me deixava em casa. Independente do horário, sempre ele estava lá - o tio da cerveja. Com aquela pose de quem ainda investe e se garante, em diversos horários eu o encontrava, e sempre, de lei, com a lata de cerveja na mão. Sol ou chuva. Dez ou onze da noite.
Foi agora, quase dois anos depois, já formada, que fiz o mesmo caminho: fui na faculdade, encontrei uns amigos no bar e voltei, sem marcar horário. Lá estava ele, com a latinha de cerveja esperando o ônibus. Quando entramos ouvi ele conversar com outro cara:
- Calor, hein?
- Poxa, nem fala!
- É, rapaz... tenho que tomar uma dessa antes de chegar em casa, senão... pfff, não dá.

Só porque está calor.
Ahãm.

Premio Nobel

Grandes produtos geniais, de origem duvidosa e funcionalidade improvável são vendidos na queridinha rua 25 de Março. Papa-bolinhas, cortador de pelo, massageador - quem não odeia as massagens "gratuitas" de surpresa enquanto passa no aperto da calçada? - invisible bra e o diabo a quatro. Mas existe um único, infalível, preciso, indispensável...
Esse post é escrito em homenagem ao grande gênio que inventou a raquete elétrica para mosquitos e coleguinhas. O quão grande não é o prazer mórbido de ouvir fritar esses seres infernais que vivem nos torturando com barulhos e picadas o verão todo?

Dieeeeeeee!

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Escândalo pra valer

Escrito por Andrea del Fuego para revista Gloss, Set-2010

Outro dia um preso francês matou o companheiro de cela, abriu seu corpo, tirou o pulmão, cortou em cubos e fez acebolado num fogão portátil. Comeu, evidentemente. Entre nós, o caso Bruno dispensa apresentações. Em São Paulo, assaltantes dão tiro nas vítimas para que o policial tenha de socorrê-las e não possa ir atrás do capeta. Nessa trama, fica difícil a atriz Lindsay Lohan chocar o leitor com uma breve estada no xadrez porque dirigia bêbada e nem dá tempo para comemorar a surra que a amante de Sorocaba levou da melhor amiga. O problema do escândalo, notícia inclusa, é que ele é um texto seguido de foto. Batata frita acompanha. Encândalo só revolta, enfurece, move a alma durante a transmissão da notícia. Nossa sensibilidade está embotada, mas não só porque escândalos são muitos e se autoanulam pela abundância. Os olhos ficaram saturados pela apresentação da notícia em capítulos, ao vivo. Os escândalos parecem iguais aos próximos que virão porque a linguagem da TV nos afasta do drama real. Mais: quando o escândalo é seu, caso ele não seja reportado e distribuído em rede, o luto não começa, a vergonha não aflora, as desculpas nãos podem ser pedidas. Isso é um texto, epitáfio é um texto, bula é um texto, julgamento é um texto e sua vida só vale se for um texto. O fato está ameaçado pela palavra. Escândalo para valer é indizível e privado, ferindo a nuca ou o pulso – onde doer mais

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Foi

Voltar é como acordar.
Minha casa, do jeito que eu deixei. Uma mudança aqui, outra ali, nada que não pudesse ter sido mudado num final de semana qualquer. Os cachorros, meu quarto, a rua, as pessoas, todas ali.
Mas eu...
Bom, não dá pra voltar e dizer que você é a mesma, e que as mudanças foram qualquer, como um final de semana numa cidade ali, com uns amigos, uma festa e só. Foi morar com uma familia estranha e vê-la se transformando em sua. Ter amigos de culturas extremamente diferentes, sair e voltar a hora que quiser, fazer compras pra casa, se responsável por exatamente tudo na sua vida. Foi fazer amigos - de dois minutos e para sempre-, amores- todas intensidades e probabilidades-, comer comidas loucas e se perder em trams e ferries. Foi brigar em inglês e ouvir em espanhol. Foi combinar com alemães de sair correndo do restaurante e não pagar a conta. Foi achar irmãs japonesas e namorado australiano. Foi beber ponche e voltar pra casa a pé, descalça, rindo, por mais de meia hora. Foi trabalhar no show do U2, Bon Jovi, liga de rugby, com espiadinha no vestiário dos jogadores. Foi sair de casa duas da manhã para dar uma volta no centro, depois de uma taça de vinho com as amigas. Foi ver uma cidade destruida pela enchente. Foi Opera House, um coala no colo e cangurus ao redor. Foi ir pra uma entevista de emprego de Havaianas. Foi tudo. Foi louco.
Para todos vocês, que viveram isso comigo: see you soon. E como uma mensagem que eu recebi, numa das primeiras despedidas que me fez pensar o quanto essa viagem - também chamada de sonho por uns, intercâmbio por outros - mexe com a gente: "life is long enough to find you wherever you are in this world".

Até breve, em palavras e em solo tupiniquim.

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